26 de mar de 2012

Juventude e a defesa do meio ambiente em terras Tupiniquins


O Curupira é um ser fantástico que habita a floresta e defende quem nela vive além de punir quem agride. Corre de forma tão rápida que é impossível ver no olho humano. Encanta a juventude pelo fascínio que a floresta exerce e pela sua incrível sensibilidade pelo meio ambiente.
Foi nesse espírito de defesa da floresta que em 1992 a juventude escolheu o Curupira para demarcar a sua participação em uma das mais importantes conferências das Nações Unidas. Com a Eco 92 certas discussões que estavam reduzidas a grupos restritos, ganharam grande dimensão. Vinte anos se passaram deste importante marco para o debate do desenvolvimento sustentável entre os países do mundo, muita coisa mudou de lá pra cá e o envolvimento da juventude com este tema continua forte.

Nos preparamos agora para sediar e participar de mais uma conferencia, a
 Rio+20, onde chefes de Estados de vários países em conjunto com a sociedade civil, pretendem construir planos de desenvolvimento em harmonia com o meio ambiente. Sem dúvida a participação da juventude nesse processo é fundamental, somos nós que mais sofremos os impactos da crise ambiental que anda lado a lado com crise social.
Para a juventude brasileira se torna mais desafiador a presença na Rio+20, pois estamos em uma posição estratégica. Primeiramente porque hoje o Brasil é referência no diálogo com os países e podemos apresentar para o mundo uma outra forma de construir mudanças sociais e ambientais com desenvolvimento econômico. O Brasil desfruta de riquíssimos biomas, vastas florestas, imensa bacia hidrográfica, além de ter a maior Floresta tropical úmida, detendo 1/3 do estoque energético do planeta. No Brasil, a proteção dos recursos é premente porque o país precisa fazer avançar seu projeto soberano de desenvolvimento em harmonia com os recursos naturais. Sem isto é impossível elevar a qualidade de vida do povo.
É preciso compreender a relação dos seres humanos e a natureza não apenas de forma biológica, mas principalmente histórica e social e, encarar que as mudanças climáticas é um dos sérios desafios da humanidade no século 21, uma questão que diz respeito a sobrevivência da humanidade e ao desenvolvimento de todos os países, que requer cooperação e esforço comum internacional. É através desta relação que se deve enfrentar a crise social onde os 20% mais ricos do mundo se apropriam de 82,7% da renda, enquanto os outros dois terços da população mundial ficam com apenas 6%. Avalia-se que seriam necessários cinco planetas para oferecer a todos os habitantes da Terra o atual estilo de vida promovida pelos países ricos
A crise ambiental deve ser entendida como parte integrante da crise geral do sistema capitalista. Esta crise que ao mesmo tempo em que assola os trabalhadores de todo mundo também gera grandes impactos ambientais. Esse atual modelo de produção é a base da mercantilizarão da natureza e de sua transformação dos recursos naturais em fonte inesgotável de lucro para o capital e a alienação mais profunda entre os seres humanos e a natureza. A luta pela proteção do meio ambiente promove o avanço civilizacional e é indispensável para garantir a qualidade de vida no planeta.

Enfim, o tema do meio ambiente passa por tantas variáveis, interligadas que, realmente, nenhuma equação matemática dá conta de resolver. Nesse sentido os debates e as análises da Rio+20 devem passar pela premissa de superação do atual modelo econômico. Elaborar alternativas para desenvolvimento passa pela construção de uma nova sociedade voltada para um sistema de produção e consumo que vise o bem estar e não o lucro.

Luíza Lafetá 

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